Arquivo | 17. jan, 2009

Seja feliz, seja você mesma!

17 jan

” O Ódio espuma. A preguiça se derrama. A gula engorda. A avareza acumula. A luxúria se oferece. O orgulho exulta. Só a inveja se esconde…”

Não é preciso ser nenhum expert em relações humanas para concordar que, ao contrário dos outros escancarados pecados capitais, a inveja é, realmente, um sentimento dissimulado. Talvez o menos tolerável de todos e que pode adquirir diferentes nuances. Uma pessoa pode ser acometida por um momento passageiro de inveja, que não chega a prejudicar ninguém, ou ser dominado pela chamada inveja patológica, um desgosto profundo e destrutivo pela felicidade de outra pessoa.“O verdadeiro amigo não é o que é solidário na desgraça, mas o que suporta o seu sucesso.”

De fato, uma pessoa bem-sucedida costuma ser alvo de muita inveja, porque irá encarnar uma das qualidades mais valorizadas na nossa sociedade consumista: a riqueza. Mas há uma grande diferença entre querer ter o mesmo sucesso que outra pessoa e simplesmente não se conformar com o sucesso de alguém. “Ciúme é querer manter o que se tem; cobiça é querer o que não se tem; inveja é não querer que o outro tenha”!

Por ser considerado tão nefasto à humanidade, esse sentimento acabou sendo incluído entre os sete pecados listados pela Igreja Católica, durante o Concílio de Trento (1545 a 1563). É considerada pecado porque uma pessoa invejosa ignoraria suas próprias bênçãos, priorizando as conquistas de outra pessoa, ao invés de buscar seu próprio crescimento espiritual. “A inveja é uma das emoções mais primitivas e é, geralmente, negada por todos. “Ninguém quer ser alvo de inveja e muito menos ser o próprio invejoso”.

A origem desse sentimento estaria num complexo de inferioridade. Ele nasce da comparação que constantemente as pessoas fazem entre si. “A inveja geralmente surge do sentimento de sentir-se incapaz, percebendo o outro como tendo todos os atributos que acredita não ter”. “É um dos mais destrutivos sintomas da insegurança interior, pois traz uma amarga sensação de desconforto e sofrimento quando se é confrontado com o sucesso de outra pessoa ou com algo de bom que lhe aconteça.

“Quem de fato está satisfeito e feliz com o que é, muito mais do que com o que tem, dificilmente sentirá inveja de outra pessoa”. Nossa cultura, talvez, seja uma grande cultivadora da inveja, já que desde muito cedo somos constantemente comparados. Com o irmão que é mais bonzinho ou com o primo que tira boas notas… Isso acontece na escola, na família, na sociedade. Aí começam as humilhações e as críticas, que fazem alguns se sentirem cada vez mais incapazes de ser e obter o que o outro tem. “Há uma tendência a supervalorizar o outro com tudo que ele tem e desvalorizar o que temos”.Olho gordo e mau-olhado são nomes que a cultura popular cunhou para inveja. Esse sentimento destrutivo é chamado de inveja patológica.

“Como todas as funções estruturantes, como o medo, respiração, prazer, marcha, amor, ciúme etc., a inveja pode ser normal ou patológica. O simples fato de desejar o que é do outro não é patológico, indica apenas que a pessoa reconhece no outro algo que lhe é significativo. Assim, a inveja indica caminhos, como o da vocação, o desejo de progredir, de aprender, de usufruir a vida, auto-afirmação.” A inveja deixaria de ser normal quando ela visa a atacar o objeto invejado, ao invés de se esforçar para adquiri-lo.

“Mas, veja bem: o problema não é a inveja, mas o modo como ela se manifesta”. E quem estaria mais propenso a sucumbir à inveja patológica? Segundo o psiquiatra, a pessoa que tem dificuldade de ir em busca de si mesma e de afirmar o que quer. “A inveja nasce da auto-rejeição que fazemos conosco, por não acreditarmos em nossos potenciais e por procurarmos fora de nós as explicações de como devemos pensar, sentir, falar, fazer e agir, dando importância desmedida aos outros, supervalorizando-os”.

No esforço para sair das garras desse sentimento, é importante aceitar-se como é, respeitando as diferenças e reconhecendo seus próprios valores.

Fonte: revista viver Brasil.

Depois que postei esse texto, recebi muito emails bacanas do Brasil afora! Obrigada pelo carinho e pela energia positiva. E entre eles estava o da Fernanda que me mandou essa fábula….até arrepiei!

“Conta-se que um monge eremita viajava através das aldeias, ensinando o bem.

Chegando a noite e estando nas montanhas, sentiu muito frio. Buscou um lugar para se abrigar. Um discípulo jovem ofereceu-lhe a própria caverna. Cedeu-lhe a cama pobre, onde uma pele de animal estava estendida.

O monge aceitou e repousou. No dia seguinte, quando o sol estava radiante e ele deveria prosseguir a sua peregrinação, desejou agradecer ao jovem pela hospitalidade.

Então, apontou o seu indicador para uma pequena pedra que estava próxima e ela se transformou em uma pepita de ouro.

Sem palavras, o velho procurou fazer que o rapaz entendesse que aquela era a sua doação, um agradecimento a ele. Contudo, o rapaz se manteve triste.

Então, o religioso pensou um pouco. Depois, num gesto inesperado, apontou uma enorme montanha e ela se transformou inteiramente em ouro.

O mensageiro, num gesto significativo, fez o rapaz entender que ele estava lhe dando aquela montanha de ouro em gratidão.

Porém, o jovem continuava triste. O velho não pôde se conter e perguntou:

Meu filho, afinal, o que você quer de mim? Estou lhe dando uma montanha inteira de ouro.

O rapaz apressado respondeu: Eu quero o vosso dedo.”